Brasil deve colher 705,2 milhões de toneladas, a segunda maior safra da história. Sudeste responde por 451,4 milhões de toneladas e São Paulo, sozinho, por 362,8 milhões. Enquanto a produção de açúcar recua, o etanol deve bater recorde.
A safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27 deve ser a segunda maior da história. Segundo o 2º Levantamento da Conab, divulgado em 20 de agosto, o país deve colher 705,2 milhões de toneladas, crescimento de 4,7% em relação à safra 2025/26. A estimativa fica atrás apenas da safra 2023/24, que atingiu 713,2 milhões de toneladas.
O avanço resulta da combinação de dois fatores: área colhida de 9,1 milhões de hectares, alta de 1,1%, e produtividade média nacional de 77,9 toneladas por hectare, crescimento de 3,6%. A Conab atribui a melhora, em parte, às condições climáticas mais favoráveis ao longo do ciclo.
São Paulo lidera a produção nacional
O Sudeste segue como principal região produtora, com 451,4 milhões de toneladas. Só o Estado de São Paulo deve colher 362,8 milhões de toneladas, o que representa mais da metade da produção nacional.
Na região de Ribeirão Preto, municípios como Guará, Ituverava, São Joaquim da Barra, Morro Agudo e Sertãozinho estão entre os polos importantes da moagem. Com o volume maior projetado para o Centro-Sul, a extensão da safra é um ponto a acompanhar.
O Centro-Oeste aparece em segundo lugar, com 157 milhões de toneladas, alta de 4,6% em relação ao ciclo anterior. O Nordeste deve produzir 55,5 milhões de toneladas, o Sul 37,3 milhões e o Norte 4,1 milhões.
Menos açúcar, mais etanol
O ponto mais importante da safra 2026/27 não é apenas o volume colhido, e sim como as usinas vão dividir a cana entre açúcar e etanol.
A Conab estima produção de açúcar de 42,89 milhões de toneladas, queda de 2,9% em relação à safra anterior. Já a produção total de etanol, somando cana e milho, deve alcançar 41,88 bilhões de litros, alta de 11,7% e recorde para a série.
Entre os fatores que podem sustentar a demanda por etanol estão o preço do petróleo e a discussão sobre o aumento do percentual de etanol anidro na gasolina. Um estudo da EPE estima que um cenário de E35 pode elevar em cerca de 3,3 bilhões de litros a demanda por anidro no longo prazo.
Para o produtor, a disputa entre açúcar e etanol influencia o valor da cana, o ritmo de moagem e as oportunidades de negociação ao longo da safra.
Etanol segue competitivo na bomba
Na última pesquisa semanal da ANP, o preço médio de revenda do etanol hidratado no Brasil ficou em R$ 4,13 por litro, alta de 0,73% na semana. Em São Paulo, a média estadual estava em R$ 3,878 por litro, abaixo da média nacional.
A competitividade do etanol depende da relação entre seu preço e o da gasolina. Quando o etanol custa até cerca de 70% do preço da gasolina, ele tende a compensar mais para o motorista.
Desafios: clima, custo e renovação de canavial
Mesmo com a safra maior, o setor segue atento aos custos de diesel, fertilizantes e mão de obra. A renovação de canaviais também é um ponto crítico, porque áreas envelhecidas tendem a apresentar produtividade menor.
Outro alerta é o manejo de pragas, como broca e cigarrinha, que exigem monitoramento constante. O controle biológico é uma das ferramentas usadas no setor, mas não há base confirmada para afirmar que ele é adotado em 70% das áreas de São Paulo.
O que esperar até o fim da safra
A moagem do Centro-Sul deve avançar até o fim do ano. Se o etanol seguir competitivo frente à gasolina, ele tende a ganhar espaço no mix das usinas. Se o açúcar se valorizar no mercado internacional, a tendência pode se inverter.
Para o produtor independente, a recomendação prática é acompanhar o preço da cana, o ATR e as condições de pagamento das usinas antes de fechar contratos. A safra maior amplia o volume disponível, mas o resultado financeiro depende do mix industrial e das condições locais de negociação.
A safra 2026/27 deve ser grande em volume, mas o que vai definir o resultado do setor é a divisão entre açúcar e etanol.
Escrito por Marcelo Andrade
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